Cirurgia Minimamente Invasiva de Haglund em Fortaleza
Uma opção para a deformidade de Haglund que não respondeu ao tratamento conservador, com avaliação individual em Fortaleza e Eusébio.
Fortaleza (Meireles) e Eusébio (CE), com estacionamento nas duas unidades.
Resposta rápida
A calcaneoplastia minimamente invasiva remove, por miniacessos ou via endoscópica, a proeminência óssea póstero-superior do calcâneo e trata a bursa retrocalcânea inflamada, podendo incluir o desbridamento do tendão de Aquiles quando indicado. É reservada para quem não respondeu ao tratamento conservador bem conduzido, e a técnica exata é sempre definida de forma individual, a partir do exame físico e da radiografia com carga.

Quando a saliência atrás do calcanhar não cede ao conservador
A dor e o inchaço na parte de trás do calcanhar, exatamente onde o contraforte do calçado encosta, são o quadro central da deformidade de Haglund — uma proeminência óssea na parte póstero-superior do calcâneo que comprime, junto com ela, o tendão de Aquiles e a bursa retrocalcânea. O artigo sobre deformidade de Haglund detalha essa anatomia, a diferença em relação ao esporão de calcâneo e como o diagnóstico é feito; aqui, o foco é a etapa seguinte, quando o tratamento conservador bem conduzido não trouxe o alívio esperado.
Não é incomum que a bursite retrocalcânea e uma tendinopatia insercional do tendão de Aquiles caminhem lado a lado com a proeminência óssea, já que as três estruturas ficam espremidas na mesma região. Essa combinação também orienta boa parte da conversa sobre tratamento: quando o componente tendíneo está mais envolvido, a avaliação — e, se for o caso, a técnica cirúrgica escolhida — leva isso em conta, e não apenas o tamanho do osso saliente.
O tratamento conservador vem sempre primeiro
Antes de qualquer conversa sobre cirurgia, o tratamento da deformidade de Haglund começa pela via conservadora: troca do calçado por modelos com contraforte macio ou aberto atrás, calcanheira para reduzir a tração do tendão de Aquiles, e um programa de alongamento e fortalecimento excêntrico da panturrilha, geralmente conduzido com fisioterapia integrada. Quando há tendinopatia insercional do Aquiles associada, a terapia por ondas de choque pode entrar nessa fase para o componente tendíneo — a literatura ainda é dividida sobre o ganho dessa terapia nesse território específico, e a indicação é sempre individual.
Esse conjunto, mantido por tempo suficiente e bem orientado, resolve boa parte dos casos. A avaliação cirúrgica só entra na conversa quando esse caminho, já percorrido com critério, não trouxe o alívio necessário — os detalhes de cada uma dessas medidas conservadoras estão no artigo sobre deformidade de Haglund.
O que é a calcaneoplastia minimamente invasiva
Essa técnica segue os mesmos princípios descritos na página sobre cirurgia minimamente invasiva do pé e tornozelo: miniacessos ou portais de poucos milímetros, guiados por radioscopia ou por ótica endoscópica, sem a exposição ampla da cirurgia aberta tradicional.
No caso da deformidade de Haglund, o procedimento remove a proeminência óssea póstero-superior do calcâneo e faz o desbridamento da bursa retrocalcânea inflamada. Quando há uma tendinopatia insercional leve a moderada do tendão de Aquiles associada, o desbridamento do tendão pode ser incluído no mesmo tempo cirúrgico, por via percutânea ou endoscópica.
Nenhum desses detalhes é definido antes da avaliação. A extensão da ressecção óssea, se o tendão será tratado na mesma cirurgia e qual a via de acesso mais adequada dependem do exame físico e da radiografia com carga; quando há suspeita de maior comprometimento do tendão ou da bursa, a ressonância magnética pode ser solicitada para detalhar essas partes moles antes do planejamento cirúrgico.
Vantagens documentadas e limites que você precisa conhecer
Wiegerinck et al. (2012), em revisão sistemática reunindo 15 estudos e 547 procedimentos em 461 pacientes, encontraram maior satisfação e uma taxa de complicação substancialmente menor com a técnica endoscópica em comparação à cirurgia aberta. Os mesmos autores fazem uma ressalva importante: independentemente da técnica escolhida, é a ressecção óssea suficiente — não o tamanho da incisão — o que mais determina um bom resultado.
Uma revisão sistemática mais recente, de Alessio-Mazzola et al. (2020), reunindo 35 estudos e 1.260 tornozelos, confirma essa direção: a técnica endoscópica apresentou uma pontuação funcional final (AOFAS) discretamente superior à da técnica aberta (90,7 contra 87,1 pontos), além de menos complicações (4,1% contra 15,5%) e menos insucessos do procedimento (1,2% contra 6,0%).
Ao mesmo tempo, vale calibrar a expectativa com honestidade: quando o comprometimento do tendão de Aquiles associado é maior — não apenas uma tendinopatia leve, mas um envolvimento mais extenso da inserção —, a extensão do desbridamento necessário pode exigir uma exposição maior do que a via minimamente invasiva permite. Essa é uma decisão que só se define durante a avaliação, com base no exame e nos exames de imagem, nunca antes dela.
Riscos que fazem parte da conversa
Pi et al. (2021), em uma coorte retrospectiva comparando as duas vias, registraram parestesia temporária por lesão do nervo sural em 2 dos 20 pacientes operados pela técnica aberta, contra nenhum caso entre os 27 operados pela técnica endoscópica — ainda que a via endoscópica tenha exigido, nesse estudo, mais tempo de cirurgia (65 contra 45 minutos, em média) e uma curva de aprendizado de ao menos quatro procedimentos até estabilizar a duração da cirurgia, o que reforça a importância da formação específica na técnica.
A mesma direção aparece na revisão de Alessio-Mazzola et al. (2020): insucesso do procedimento, incluindo casos que não resolveram o quadro, ocorreu em 1,2% das cirurgias endoscópicas contra 6,0% das cirurgias abertas. Recidiva da proeminência óssea, lesão do tendão de Aquiles e ressecção insuficiente da saliência — que pode manter parte do atrito original — também fazem parte dos riscos possíveis em qualquer técnica, percutânea ou aberta, e nenhuma abordagem elimina essas possibilidades por completo.
Como é a avaliação e a recuperação
A avaliação reúne o exame físico da região posterior do calcanhar — incluindo a palpação diferenciada entre osso, tendão e bursa — e a radiografia de perfil com carga, feita com você em pé, para medir o tamanho real da proeminência óssea. Quando há suspeita de maior envolvimento do tendão de Aquiles, a ressonância magnética complementa essa avaliação antes do planejamento cirúrgico.
A recuperação acontece em fases, sem um prazo único válido para todo paciente: um período inicial de proteção do calcanhar operado, com calçado específico e apoio conforme orientação, seguido de progressão gradual de carga. A fisioterapia integrada, conduzida pela Dra. Lucymilla Guimaro, costuma apoiar o controle do inchaço, a mobilidade do tornozelo e o retorno gradual à caminhada e às atividades habituais, sempre conforme a evolução observada em cada retorno.
Atendimento em Fortaleza e Eusébio, com opção de teleconsulta
O atendimento acontece na Clínica Qorpo, em Fortaleza, e na Odonto Med Clinic, no Medical Center Eusébio, ambos com estacionamento no local. Para pacientes que já têm exames em mãos ou buscam uma segunda opinião antes de decidir sobre a cirurgia, a teleconsulta está disponível tanto para quem está no Brasil quanto para brasileiros no exterior.
Se você convive com dor e inchaço atrás do calcanhar, um "caroço" que incomoda em qualquer sapato fechado, e o tratamento conservador bem conduzido não trouxe o alívio esperado, o próximo passo é uma avaliação individual. Fale pelo WhatsApp (85) 99826-1867 para agendar sua consulta ou uma segunda opinião.
Uma decisão que exige critério, não pressa
A calcaneoplastia minimamente invasiva não é um atalho mais rápido ao tratamento conservador — é a etapa reservada para quando esse caminho, bem conduzido e por tempo suficiente, não trouxe o alívio necessário. Reconhecer se você está (ou não) nesse grupo é o objetivo da avaliação, não uma conclusão que se chega antes do exame clínico e da radiografia com carga.
Se você já percorreu a via conservadora sem o alívio esperado, vale conversar sobre os próximos passos com quem acompanha esse tipo de caso de perto. A decisão final é sempre conjunta, construída a partir do seu histórico específico, não de um protocolo padronizado.

Dr. Caio Fábio — CRM-CE 12791 · RQE 8590 · Membro Titular da SBOT · Membro da ABTPé
Pós-graduado em Intervenção em Dor e Medicina Regenerativa (Interpain).
Referências científicas (5)
- Wiegerinck JI, Kok AC & van Dijk CN (2012). Surgical Treatment of Chronic Retrocalcaneal Bursitis. Arthroscopy. DOI 10.1016/j.arthro.2011.09.019
- Alessio-Mazzola M et al. (2020). Endoscopic Calcaneoplasty for the Treatment of Haglund's Deformity Provides Better Clinical Functional Outcomes, Lower Complication Rate, and Shorter Recovery Time Compared to Open Procedures: A Systematic Review. Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy. DOI 10.1007/s00167-020-06362-1
- Pi Y et al. (2021). Open Versus Endoscopic Osteotomy of Posterosuperior Calcaneal Tuberosity for Haglund Syndrome: A Retrospective Cohort Study. Orthopaedic Journal of Sports Medicine. DOI 10.1177/23259671211001055
- Rompe JD et al. (2008). Eccentric Loading Compared with Shock Wave Treatment for Chronic Insertional Achilles Tendinopathy. A Randomized, Controlled Trial. The Journal of Bone and Joint Surgery - American Volume. DOI 10.2106/JBJS.F.01494
- Mansur NSB et al. (2021). Shockwave Therapy Plus Eccentric Exercises versus Isolated Eccentric Exercises for Achilles Insertional Tendinopathy: A Double-Blinded Randomized Clinical Trial. The Journal of Bone and Joint Surgery - American Volume. DOI 10.2106/JBJS.20.01826
Referências verificadas em bases indexadas (PubMed) antes da publicação. O texto resume os achados de forma acessível; a leitura dos estudos originais é recomendada para o aprofundamento técnico.
Perguntas frequentes
A saliência óssea volta?
Recidiva da proeminência é uma possibilidade descrita na literatura em qualquer técnica cirúrgica, percutânea ou aberta, e nenhuma abordagem elimina esse risco por completo. Wiegerinck et al. (2012) reforçam que a ressecção óssea suficiente durante a cirurgia — independentemente da via escolhida — é o que mais influencia esse resultado, o que torna o planejamento cirúrgico tão importante quanto a escolha da técnica.
E se o tendão de Aquiles estiver acometido?
Quando há uma tendinopatia insercional leve a moderada associada, o desbridamento do tendão pode ser incluído na mesma cirurgia, por via percutânea ou endoscópica. Já quando o comprometimento do tendão é mais extenso, a extensão do reparo necessário pode pedir uma exposição maior do que a técnica minimamente invasiva permite — uma decisão que só se define durante a avaliação, com exame físico e exames de imagem, nunca antes dela.
Endoscópica ou aberta — qual a diferença?
As duas tratam a mesma proeminência óssea e a bursa inflamada, mas por caminhos diferentes: a endoscópica usa portais de poucos milímetros guiados por ótica; a aberta faz uma incisão maior, com exposição direta da região. A revisão de Alessio-Mazzola et al. (2020), reunindo 35 estudos, encontrou menos complicações e menos insucessos do procedimento com a técnica endoscópica, mas ambas seguem sendo opções válidas, e a escolha depende da avaliação individual do seu caso.
Quanto tempo para voltar a calçar sapato fechado?
Não existe um prazo único que se possa prometer antes de conhecer o seu caso — o ritmo depende da extensão da cirurgia, de o tendão ter sido tratado ou não na mesma cirurgia, e da resposta individual à recuperação. O que se sabe é que a transição para o calçado fechado é gradual e acompanhada de perto nas consultas de retorno, nunca definida por um calendário padronizado.
Ondas de choque resolvem sem cirurgia?
As ondas de choque não reduzem a proeminência óssea — atuam apenas no componente tendíneo, quando há tendinopatia insercional do Aquiles associada. Mesmo nesse território, os estudos discordam entre si: um ensaio mostrou vantagem sobre o exercício isolado (Rompe et al., 2008), enquanto outro, mais recente, não confirmou esse ganho (Mansur et al., 2021). Por isso a indicação é sempre individual, e a cirurgia só entra na conversa quando o osso em si continua causando o atrito, apesar do tratamento conservador.
Quais os riscos?
Lesão nervosa, recidiva da proeminência óssea, ressecção óssea insuficiente e comprometimento do tendão de Aquiles estão entre os riscos descritos na literatura. Pi et al. (2021) registraram parestesia temporária por lesão do nervo sural em 2 de 20 pacientes operados pela técnica aberta, contra nenhum caso na técnica endoscópica; Alessio-Mazzola et al. (2020) descrevem complicações em 15,5% das cirurgias abertas contra 4,1% das endoscópicas. Nenhuma técnica elimina esses riscos por completo, e eles fazem parte da conversa antes de qualquer indicação.
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