PRP na artrose de joelho: o que a evidência mostra e o que o CFM autoriza
Dr. Caio Fábio — CRM-CE 12791 · RQE 8590Resposta rápida
O PRP é um concentrado de plaquetas obtido do seu próprio sangue, autorizado pelo CFM desde julho de 2026 como tratamento adjuvante para artrose de joelho leve a moderada, sem substituir o tratamento clínico ou cirúrgico indicado. A evidência científica é consistente quando o PRP é comparado ao ácido hialurônico, mas ainda divide os estudos quando comparado a placebo.

PRP na artrose de joelho: a resposta rápida
Você tem artrose de joelho, já ouviu falar em PRP (plasma rico em plaquetas) e quer saber duas coisas ao mesmo tempo: o tratamento é permitido no Brasil, e ele realmente funciona? A resposta rápida é esta: desde 15 de julho de 2026, o Conselho Federal de Medicina autoriza o uso do PRP na artrose de joelho como procedimento adjuvante — uma camada a mais dentro do tratamento, não um substituto dele. E a força da evidência científica varia conforme a comparação: é consistente frente ao ácido hialurônico, mas ainda divide os estudos frente a placebo.
Nem a regra regulatória nem a ciência entregam uma resposta única para "o PRP funciona?" — depende do grau da sua artrose, do que você já tentou e de qual comparação está em jogo. Este texto detalha o que mudou na regulamentação, o que os estudos mostram em cada comparação e quem tende a se beneficiar mais do procedimento. Para entender os ortobiológicos de forma mais ampla — PRP, BMA e gordura microfragmentada —, o artigo sobre tratamento com ortobiológicos para artrose é o ponto de partida; aqui, o foco é o PRP no joelho e a regulamentação vigente.
O que a Resolução CFM nº 2.464/2026 mudou
Até julho de 2026, o PRP ocupava uma posição desconfortável na regulamentação brasileira: a Resolução CFM nº 2.128/2015 tratava o procedimento como experimental, restrito a protocolos de pesquisa. Na prática, isso deixava a aplicação clínica numa área cinzenta, sustentada por um volume crescente de estudos, mas sem regra clara do CFM sobre o uso corrente em consultório.
Essa situação mudou com a Resolução CFM nº 2.464/2026, em vigor desde 15 de julho de 2026, que revoga a resolução anterior e autoriza o uso terapêutico do PRP em quatro indicações específicas: artrose de joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral (o "cotovelo de tenista") e reparo meniscal. Na exposição de motivos, o CFM justifica a mudança citando um "conjunto probatório mais consistente" reunido nos últimos anos, "especialmente na osteoartrite leve a moderada" — uma ressalva que já sinaliza, no próprio texto normativo, que a força da evidência não é uniforme entre as quatro indicações.
Um ponto central, que vale destacar com todas as letras: o PRP é autorizado como procedimento adjuvante. O artigo 1º, parágrafo 1º, estabelece que ele não substitui o tratamento clínico, reabilitacional ou cirúrgico já indicado para o seu caso — soma a esse tratamento, quando a avaliação individual indicar, mas não ocupa o lugar dele.
A resolução também formaliza exigências práticas: consentimento informado específico, registro detalhado em prontuário, preparo do material conforme a Nota Técnica nº 29/2024 da Anvisa (manipulação de sangue e derivados em sistema fechado) e execução como ato médico. E o artigo 13 veda, de forma explícita, a promessa de cura, a garantia de regeneração tecidual e o uso do PRP como substituto de uma cirurgia já indicada — vedações que orientam também a forma como este texto foi escrito.
Artrose de joelho: o que o PRP pode e não pode fazer
Entender os limites do PRP no joelho exige separar dois planos: o ambiente biológico da articulação e a estrutura física da cartilagem. O mecanismo proposto atua no primeiro — as plaquetas concentradas liberam fatores de crescimento que parecem modular a inflamação local, o que se traduz, quando o tratamento funciona, em menos dor e em ganho de função. O que o PRP não faz, pelo que a evidência mostra até aqui, é reconstruir uma cartilagem já perdida: no ensaio RESTORE, detalhado mais adiante, o volume de cartilagem da tíbia mediana não apresentou diferença entre o grupo tratado com PRP e o grupo placebo (Bennell et al., 2021).
Essa distinção importa porque a artrose de joelho é avaliada em graus, pela classificação de Kellgren-Lawrence (KL), de 1 (achados mínimos) a 4 (desgaste avançado, com redução importante do espaço articular). A evidência favorável ao PRP concentra-se nos graus leve a moderado — KL 1 a 3 —, o mesmo recorte que a exposição de motivos da Resolução CFM nº 2.464/2026 menciona ao falar em "osteoartrite leve a moderada". Em KL 4, com desgaste avançado ou deformidade, o cenário muda, e a conversa tende a se deslocar para outras opções, incluindo a avaliação cirúrgica.
Vale uma nota de contexto: o PRP não é a única opção autóloga estudada na artrose de joelho. A gordura microfragmentada (MFAT), obtida do próprio tecido adiposo, já foi comparada diretamente ao PRP — um ensaio com 118 pacientes encontrou resultados comparáveis entre as duas técnicas ao longo de 24 meses, com taxas baixas e semelhantes de eventos adversos, e uma vantagem da gordura em artrose moderada a acentuada: mais pacientes desse grupo atingiram a diferença mínima clinicamente importante aos 6 meses (75,0% contra 34,6%) (Zaffagnini et al., 2022). Outro ensaio, com 75 pacientes, mostrou melhora de dor e função mantida por 1 ano com a gordura microfragmentada, enquanto o corticoide perdeu efeito já nas primeiras semanas (Richter et al., 2024), e uma meta-análise mais recente não encontrou diferença estatística entre a gordura microfragmentada e as demais opções autólogas — PRP e BMA — no joelho, com certeza da evidência classificada como baixa (Hohmann et al., 2025). A distinção regulatória, porém, importa: a Resolução CFM nº 2.464/2026 autoriza especificamente o PRP; a gordura microfragmentada não está entre as quatro indicações desta resolução e, nas palavras do próprio CFM, demanda análise regulatória própria — a decisão sobre usá-la segue individual, com base na literatura e em consentimento específico.
PRP versus ácido hialurônico: onde a evidência é mais consistente
Entre todas as comparações estudadas, a mais consistente — e também a mais estudada — é frente ao ácido hialurônico, a viscossuplementação. Uma meta-análise de 18 ensaios clínicos randomizados de nível 1, somando 1.608 pacientes (Belk et al., 2020), encontrou melhora significativamente maior com PRP do que com ácido hialurônico (AH) nos escores de dor e função (WOMAC), com o PRP pobre em leucócitos apresentando resultados mais favoráveis que o rico em leucócitos. Outra meta-análise, de 10 ensaios com 1.069 pacientes (Dai et al., 2017), chegou a achado semelhante: aos 12 meses, o PRP superou o AH em dor e função, com diferença acima do clinicamente relevante e sem aumento de eventos adversos.
O padrão se sustenta no seguimento mais longo: num ensaio com 192 pacientes e acompanhamento médio de 5 anos (Di Martino et al., 2018), a taxa de reintervenção em 24 meses foi menor no grupo PRP do que no grupo AH — 22,6% contra 37,1% —, ou seja, quem recebeu PRP precisou de menos procedimentos adicionais pelo caminho.
Estudos mais recentes e maiores reforçam esse padrão. Uma revisão com meta-análise de 21 ensaios de nível 1, somando 2.086 joelhos — 1.077 tratados com PRP e 1.009 com AH (Kim et al., 2022) —, encontrou dor menor com PRP aos 6 e aos 12 meses, independentemente da concentração de leucócitos na preparação, com aplicação única ou múltiplas aplicações superando o AH aos 12 meses. Uma meta-análise de 15 ensaios duplo-cegos com 1.632 pacientes KL I a III (Li et al., 2025) confirmou que, aos 12 meses, o PRP superou o AH em dor, no WOMAC total e na proporção de pacientes que atingiu a diferença mínima clinicamente importante.
Uma pergunta legítima diante de tantos resultados favoráveis é se essa evidência é robusta, ou frágil o bastante para que um ou dois estudos negativos a derrubem. Uma revisão de 1.993 pacientes com análise de índice de fragilidade estatística (Oeding et al., 2024) encontrou razões de chance de 2,19 para desfecho bem-sucedido, 1,55 para alívio de sintomas, 2,17 para dispensar nova intervenção e 6,19 para atingir a diferença mínima clinicamente importante de dor, todas favorecendo o PRP frente a alternativas como o AH. O índice de fragilidade médio dos ensaios individuais foi 4,57 — conclusões que os próprios autores descrevem como "levemente robustas" isoladamente —, mas o efeito combinado de todos os estudos se mostrou mais robusto do que cerca de metade das metanálises publicadas em medicina. Na prática, uma evidência favorável e consistente, mas não blindada.
PRP versus placebo: o ponto mais discutido
Se a comparação com o ácido hialurônico é a mais consistente, a comparação com placebo é a mais discutida — e é aqui que a leitura exige mais cuidado. O estudo mais citado nesse debate é o RESTORE, ensaio randomizado publicado na JAMA (Bennell et al., 2021), com 288 pacientes de 50 anos ou mais, artrose KL 2 ou 3, comparando três injeções semanais de PRP pobre em leucócitos contra três injeções de soro fisiológico (placebo), no mesmo esquema. Aos 12 meses, a diferença na dor não foi estatisticamente significativa (-2,1 no grupo PRP contra -1,8 no grupo placebo; diferença de -0,4; intervalo de confiança de -0,9 a 0,2; P = 0,17), e o volume de cartilagem da tíbia mediana também não diferiu entre os grupos (-1,4% contra -1,2%). De 31 desfechos secundários avaliados, 29 não mostraram diferença. Os próprios autores concluem que os achados "não apoiam o uso de PRP" nesse desfecho — uma conclusão que este texto não vai suavizar.
Outros estudos, porém, apontam numa direção diferente. Uma meta-análise de 34 ensaios, com 1.403 joelhos tratados com PRP e 1.426 controles (Filardo et al., 2020), descreve um benefício que cresce com o tempo: não significativo logo no início, mas clinicamente significativo entre 6 e 12 meses — uma melhora que os próprios autores descrevem como parcial, dentro de uma evidência de baixo nível. Um estudo mais recente, focado especificamente nessa comparação (Bensa et al., 2025), reforça essa leitura e acrescenta um detalhe: encontrou melhora funcional clinicamente relevante nos meses 1, 3, 6 e 12, e melhora da dor aos 3 e aos 6 meses, com concentração de plaquetas alta associada a alívio mais consistente e a um efeito mais duradouro.
Uma revisão com meta-análise em rede, reunindo 48 estudos e 9.338 joelhos, com seguimento mínimo de 6 meses (Jawanda et al., 2024), também encontrou o PRP superior ao placebo em dor e função — e, na classificação SUCRA usada para ranquear as opções entre si, o PRP ficou à frente do BMAC (aspirado concentrado de medula óssea), do AH e do corticoide, que teve SUCRA de 15,18, próximo ao do próprio placebo, com SUCRA de 13,70. Frente ao BMAC especificamente, uma revisão de 27 estudos de nível 1, com 1.042 pacientes tratados com PRP e 226 com BMAC (Belk et al., 2023), não encontrou diferença estatística entre as duas técnicas — ambas superaram o AH, sem uma se mostrar superior à outra.
Diante de resultados aparentemente contraditórios, vale ser direto: os estudos discordam entre si, e a explicação mais provável não é que um grupo esteja certo e o outro errado, mas que os preparados de PRP usados em cada ensaio são diferentes uns dos outros. Concentração de leucócitos, concentração de plaquetas e número de injeções variam de estudo para estudo, e parecem influenciar diretamente o resultado. Na prática clínica, isso muda o preparo do PRP de detalhe técnico para critério de seleção: a forma como o material é preparado faz parte da decisão médica, não é uma nota de rodapé.
| Comparação | Força da evidência | O que os estudos mostram | Principais estudos |
|---|---|---|---|
| PRP vs. ácido hialurônico | Consistente | PRP supera o AH em dor e função do curto ao longo prazo, em múltiplas metanálises. | Kim et al., 2022; Li et al., 2025; Oeding et al., 2024 |
| PRP vs. corticoide | Favorável | PRP sustenta o benefício além dos 12 meses; o corticoide alivia mais rápido, mas perde efeito antes. | McLarnon et al., 2021 |
| PRP vs. placebo | Inconsistente | O maior ensaio controlado por placebo não encontrou diferença aos 12 meses; metanálises maiores encontram benefício a partir de 3 a 6 meses. | Bennell et al., 2021; Filardo et al., 2020; Bensa et al., 2025; Jawanda et al., 2024 |
| PRP vs. BMAC | Semelhante | Sem diferença estatística entre as duas técnicas; ambas superam o AH. | Belk et al., 2023 |
| Consenso e diretrizes | Dividida | A ESSKA-ORBIT descreve o PRP como opção validada em KL 1-3; o ACR recomenda contra o uso na artrose de joelho. | Laver et al., 2024; Kolasinski et al., 2020 |
O que dizem as diretrizes
No plano internacional, as sociedades médicas também não falam a mesma língua sobre o PRP no joelho. O consenso europeu ESSKA-ORBIT sobre ortobiológicos injetáveis (Laver et al., 2024) reuniu 28 afirmações sobre o PRP na artrose de joelho, das quais 9 tiveram suporte de evidência de alto nível — e 3 receberam grau A, o mais alto da escala: existe evidência suficiente para sustentar o uso do PRP nessa indicação; a eficácia é mais consistente em artrose leve a moderada, até KL 3; e o efeito tende a ser mais duradouro e mais seguro do que o do corticoide. Para o grupo que elaborou o consenso, o PRP é uma opção validada, e possivelmente uma primeira escolha entre as injeções, em artrose KL 1 a 3.
Do outro lado do Atlântico, a diretriz de 2019 do American College of Rheumatology e da Arthritis Foundation (Kolasinski et al., 2020) chega a uma conclusão diferente. Ela recomenda fortemente exercício estruturado, perda de peso, programas de autogestão, tai chi, uso de bengala, órtese tibiofemoral, anti-inflamatório tópico e oral e corticoide intra-articular no joelho — mas recomenda contra o uso de PRP no joelho, citando como razão central a heterogeneidade das preparações disponíveis, que dificulta comparar resultados entre estudos.
A Resolução CFM nº 2.464/2026 ocupa, nesse debate, uma posição intermediária: nem o grau A mais otimista do ESSKA-ORBIT, nem a recomendação contrária do ACR, mas uma autorização condicionada — o PRP permitido como adjuvante, numa indicação específica, com exigências formais de consentimento, registro e preparo técnico, sem promessa de resultado.
Quem tende a se beneficiar — e quem não
Juntando a regulamentação e a evidência discutidas até aqui, um perfil de paciente se desenha com razoável clareza: você tende a se beneficiar mais do PRP se tem artrose de joelho leve a moderada (KL 1 a 3) e segue com dor relevante mesmo depois de exercício estruturado, ajuste de peso e outras medidas conservadoras bem conduzidas — o mesmo recorte que a exposição de motivos da resolução destaca, e em que o consenso ESSKA-ORBIT concentra sua recomendação mais forte.
O cenário muda em artrose KL 4, com desgaste avançado, ou diante de deformidade relevante do joelho — nesses casos, o benefício esperado é menor, e a conversa tende a se deslocar para outras opções. O artigo 13 da Resolução CFM nº 2.464/2026 também lista contraindicações formais: infecção ativa, doença oncológica em atividade, plaquetopenia (contagem de plaquetas reduzida) e outras alterações da coagulação. Em qualquer dessas situações, é a avaliação individual — não uma regra genérica — que define os próximos passos.
Um ponto vale repetir, porque já apareceu sob ângulos diferentes: o PRP não substitui uma prótese já indicada, nem dispensa a base do tratamento da artrose — a mesma lógica de preservação articular que orienta a abordagem da artrose no tornozelo e pé, guardadas as diferenças de evidência entre as articulações. As diretrizes internacionais mais robustas sobre artrose (Bannuru et al., 2019, OARSI) colocam educação do paciente e exercício estruturado — com ou sem controle de peso associado — como núcleo do tratamento do joelho, com fisioterapia integrada ao cuidado. O PRP, quando indicado, entra depois dessa base, não no lugar dela.
Como é feito e o que esperar
Na prática, o procedimento começa com uma coleta de sangue, que segue para processamento em sistema fechado — conforme a Nota Técnica nº 29/2024 da Anvisa para manipulação de sangue e derivados — até chegar ao concentrado de plaquetas que será aplicado. A aplicação na articulação do joelho costuma ser guiada por ultrassom, o que ajuda a posicionar a agulha com mais precisão no espaço articular. A página sobre o tratamento com PRP resume como o procedimento é conduzido no consultório.
Quanto ao número de aplicações, não existe resposta padrão válida para todo mundo: os estudos discutidos neste texto usaram desde uma aplicação única até três injeções semanais, e quantas sessões fazem sentido no seu caso é definido na avaliação individual, não por um protocolo fechado replicado igual para todo mundo.
Vale alinhar a expectativa sobre o tempo de resposta: o padrão descrito na literatura é de melhora gradual, não imediata — o benefício mais consistente costuma aparecer entre 6 e 12 meses de acompanhamento (Filardo et al., 2020), mais um processo biológico em construção do que um alívio instantâneo.
Sobre os riscos: uma meta-análise de 24 ensaios, com 2.751 pacientes (Fucaloro et al., 2025), encontrou taxa de complicações de 18,66% no grupo PRP contra 9,14% no grupo controle — a maioria leve ou moderada, como dor e inchaço local, com apenas um caso de dor intensa entre os estudos incluídos; o número necessário para causar dano (NNH) foi 11, e a diferença foi mais pronunciada especificamente na comparação com placebo, com razão de chance de 4,88 para complicações. Preparações ricas em leucócitos parecem carregar mais desse desconforto pós-aplicação — razão de chance de 3,3 para dor e inchaço em comparação ao AH (Kim et al., 2022) —, mais um motivo pelo qual o preparo do PRP é discutido antes da aplicação, não decidido de forma genérica.
Como o tratamento costuma evoluir
- A avaliação, com radiografia com carga e classificação do grau de artrose (Kellgren-Lawrence), confirma se o seu quadro está no recorte em que a evidência é mais favorável.
- Você segue, ou retoma, o tratamento de base — exercício estruturado, controle de peso e ajuste de atividade — antes de qualquer decisão sobre PRP.
- Se a indicação fizer sentido, a conversa inclui o consentimento específico exigido pela Resolução CFM nº 2.464/2026, com explicação sobre o que o procedimento pode e não pode oferecer.
- Contraindicações — infecção ativa, doença oncológica em atividade, alterações da coagulação — são checadas antes de seguir adiante.
- A coleta de sangue é processada em sistema fechado, conforme a Nota Técnica nº 29/2024 da Anvisa, até o concentrado de plaquetas pronto para aplicação.
- A aplicação é guiada por ultrassom, com registro do procedimento em prontuário.
- O acompanhamento em consulta avalia a resposta ao longo dos meses seguintes e decide, junto com você, os próximos passos.
Etapas gerais, para orientação. A sequência, os prazos e as indicações são definidos caso a caso, na avaliação.
PRP, viscossuplementação ou infiltração de corticoide?
Diante de três opções de infiltração — corticoide, ácido hialurônico e PRP —, a pergunta natural é qual escolher. Não há resposta única: depende de você estar buscando alívio rápido numa crise de dor, ou um efeito que se sustente por mais tempo. Para entender a viscossuplementação em detalhe — quando costuma ser indicada, e como se compara às demais opções —, a página do tratamento com ácido hialurônico reúne essas informações.
Frente ao corticoide, uma meta-análise de 8 estudos, com 648 pacientes — a maioria mulheres (68%), média de 59 anos e IMC de 28 (McLarnon et al., 2021) —, encontrou o PRP superior ao corticoide aos 12 meses em dor, rigidez e participação em atividade física, com três injeções semanais parecendo mais eficazes do que uma única aplicação. O corticoide, por outro lado, tende a proporcionar alívio mais rápido no curtíssimo prazo — por isso mantém papel real numa crise aguda de dor, mesmo com o PRP mostrando vantagem quando o horizonte é de meses.
Frente ao ácido hialurônico, a leitura já foi discutida em detalhe: a evidência favorece o PRP de forma consistente, do curto ao longo prazo — o que não torna o AH uma opção descartada, e sim uma alternativa com perfil de evidência diferente, que segue tendo lugar na prática, sobretudo quando o PRP não é indicado ou não é a preferência do paciente.
Existe ainda uma terceira via, em fase de estudo: combinar PRP e ácido hialurônico na mesma aplicação. Uma revisão de 7 estudos — 5 ensaios e 2 coortes —, somando 941 pacientes (Zhao et al., 2020), encontrou resultados mais favoráveis nos escores de função e dor (WOMAC, EVA e índice de Lequesne) aos 6 meses com a combinação do que com o PRP isolado, sem aumento de eventos adversos. Um achado que abre uma possibilidade interessante, mas que ainda pede mais estudos antes de virar recomendação padronizada.
Atendimento em Fortaleza e Eusébio
A avaliação para considerar o PRP na artrose de joelho inclui exame clínico, radiografia com carga e classificação do grau de artrose pela escala de Kellgren-Lawrence, além de uma conversa honesta sobre o que a Resolução CFM nº 2.464/2026 autoriza e o que a evidência atual sustenta — inclusive quando a resposta é que outras medidas devem vir primeiro. O consultório conta com ultrassom para guiar a aplicação, quando o procedimento é indicado.
O acompanhamento é feito pelo Dr. Caio Fábio, ortopedista, Membro Titular da SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia) e da ABTPé (Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé), CRM-CE 12791 · RQE 8590, com pós-graduação em Intervenção em Dor e Medicina Regenerativa pelo Interpain. O atendimento acontece na unidade de Fortaleza (bairro Meireles) e na unidade de Eusébio, com estacionamento no local nas duas unidades, além da opção de teleconsulta para pacientes de outras cidades. Veja como funciona a primeira consulta, ou conheça a página do tratamento com PRP. O contato pode ser feito pelo WhatsApp (85) 99826-1867.
Referências científicas (20)
- Bennell KL et al. (2021). Effect of Intra-articular Platelet-Rich Plasma vs Placebo Injection on Pain and Medial Tibial Cartilage Volume in Patients With Knee Osteoarthritis: The RESTORE Randomized Clinical Trial. JAMA. DOI 10.1001/jama.2021.19415
- Zaffagnini S et al. (2022). Microfragmented Adipose Tissue Versus Platelet-Rich Plasma for the Treatment of Knee Osteoarthritis: A Prospective Randomized Controlled Trial at 2-Year Follow-up. The American Journal of Sports Medicine. DOI 10.1177/03635465221115821
- Richter DL et al. (2024). Microfragmented Adipose Tissue Injection Reduced Pain Compared With a Saline Control Among Patients With Symptomatic Osteoarthritis of the Knee During 1-Year Follow-Up: A Randomized Controlled Trial. Arthroscopy. DOI 10.1016/j.arthro.2024.08.037
- Hohmann E et al. (2025). Microfragmented Adipose Tissue Has No Advantage Over Platelet-Rich Plasma and Bone Marrow Aspirate Injections for Symptomatic Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis. The American Journal of Sports Medicine. DOI 10.1177/03635465241249940
- Belk JW et al. (2020). Platelet-Rich Plasma Versus Hyaluronic Acid for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. The American Journal of Sports Medicine. DOI 10.1177/0363546520909397
- Dai WL et al. (2017). Efficacy of Platelet-Rich Plasma in the Treatment of Knee Osteoarthritis: A Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Arthroscopy. DOI 10.1016/j.arthro.2016.09.024
- Di Martino A et al. (2018). Platelet-Rich Plasma Versus Hyaluronic Acid Injections for the Treatment of Knee Osteoarthritis: Results at 5 Years of a Double-Blind, Randomized Controlled Trial. The American Journal of Sports Medicine. DOI 10.1177/0363546518814532
- Kim JH et al. (2022). Are leukocyte-poor or multiple injections of platelet-rich plasma more effective than hyaluronic acid for knee osteoarthritis? A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery. DOI 10.1007/s00402-022-04637-5
- Li YF et al. (2025). Platelet-Rich Plasma Is More Effective Than Hyaluronic Acid Injections for Osteoarthritis of the Knee: A Meta-analysis Based on Randomized, Double-Blinded, Controlled Clinical Trials. Arthroscopy. DOI 10.1016/j.arthro.2025.06.033
- Oeding JF et al. (2024). Platelet-Rich Plasma Versus Alternative Injections for Osteoarthritis of the Knee: A Systematic Review and Statistical Fragility Index-Based Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. The American Journal of Sports Medicine. DOI 10.1177/03635465231224463
- Filardo G et al. (2020). PRP Injections for the Treatment of Knee Osteoarthritis: A Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Cartilage. DOI 10.1177/1947603520931170
- Bensa A et al. (2025). PRP Injections for the Treatment of Knee Osteoarthritis: The Improvement Is Clinically Significant and Influenced by Platelet Concentration: A Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. The American Journal of Sports Medicine. DOI 10.1177/03635465241246524
- Jawanda H et al. (2024). Platelet-Rich Plasma, Bone Marrow Aspirate Concentrate, and Hyaluronic Acid Injections Outperform Corticosteroids in Pain and Function Scores at a Minimum of 6 Months as Intra-Articular Injections for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Network Meta-analysis. Arthroscopy. DOI 10.1016/j.arthro.2024.01.037
- Belk JW et al. (2023). Patients With Knee Osteoarthritis Who Receive Platelet-Rich Plasma or Bone Marrow Aspirate Concentrate Injections Have Better Outcomes Than Patients Who Receive Hyaluronic Acid: Systematic Review and Meta-analysis. Arthroscopy. DOI 10.1016/j.arthro.2023.03.001
- McLarnon M et al. (2021). Intra-articular platelet-rich plasma injections versus intra-articular corticosteroid injections for symptomatic management of knee osteoarthritis: systematic review and meta-analysis. BMC Musculoskeletal Disorders. DOI 10.1186/s12891-021-04308-3
- Laver L et al. (2024). The use of injectable orthobiologics for knee osteoarthritis: A European ESSKA-ORBIT consensus. Part 1 — Blood-derived products (platelet-rich plasma). Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy. DOI 10.1002/ksa.12077
- Kolasinski SL et al. (2020). 2019 American College of Rheumatology/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis & Rheumatology. DOI 10.1002/art.41142
- Bannuru RR et al. (2019). OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis and Cartilage. DOI 10.1016/j.joca.2019.06.011
- Fucaloro SP et al. (2025). Complications of Platelet-Rich Plasma Injection for Knee Osteoarthritis Are Similar to Those of Corticosteroids and Hyaluronic Acid but Are Significantly Greater Than Those of Placebo Injections: A Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Arthroscopy. DOI 10.1016/j.arthro.2025.05.018
- Zhao J et al. (2020). Effects and safety of the combination of platelet-rich plasma (PRP) and hyaluronic acid (HA) in the treatment of knee osteoarthritis: a systematic review and meta-analysis. BMC Musculoskeletal Disorders. DOI 10.1186/s12891-020-03262-w
Referências verificadas em bases indexadas (PubMed) antes da publicação. O texto resume os achados de forma acessível; a leitura dos estudos originais é recomendada para o aprofundamento técnico.
Perguntas frequentes
PRP regenera a cartilagem?
Não. Não há evidência de que o PRP reconstrua uma cartilagem já perdida — no ensaio RESTORE, o volume de cartilagem da tíbia mediana não apresentou diferença entre os grupos tratados com PRP e com placebo (Bennell et al., 2021). O objetivo do tratamento é apoiar o controle da dor e a função da articulação, não reverter o desgaste estrutural já instalado.
O PRP é liberado pelo CFM para artrose de joelho?
Sim, desde 15 de julho de 2026, pela Resolução CFM nº 2.464/2026, que revogou a resolução anterior e passou a autorizar o PRP como procedimento adjuvante em quatro indicações, entre elas a artrose de joelho leve a moderada. A autorização não substitui o tratamento clínico, reabilitacional ou cirúrgico já indicado para o seu caso.
PRP é melhor que ácido hialurônico?
A evidência disponível favorece o PRP de forma consistente frente ao ácido hialurônico, em várias metanálises recentes (Kim et al., 2022; Li et al., 2025; Oeding et al., 2024). Isso não torna o AH uma opção descartada — a escolha entre os dois depende do grau da sua artrose, do que já foi tentado antes e da avaliação individual do seu caso.
Quantas aplicações?
Não existe um número fixo. Os estudos discutidos neste texto usaram desde uma aplicação única até três injeções semanais, e alguns achados sugerem que múltiplas aplicações podem ter vantagem sobre a aplicação única (Kim et al., 2022). A quantidade de sessões faz parte do plano de tratamento construído com o seu médico.
PRP substitui a prótese?
Não. A própria Resolução CFM nº 2.464/2026 estabelece, no artigo 1º, parágrafo 1º, que o PRP é um procedimento adjuvante, que não substitui o tratamento cirúrgico já indicado. Quando a prótese é a indicação correta para o seu caso, o PRP não muda essa indicação.
Quais os riscos?
O PRP é feito com material do próprio paciente, o que reduz o risco de reação alérgica ou rejeição. Ainda assim, uma meta-análise recente encontrou uma taxa de complicações de 18,66% no grupo tratado com PRP contra 9,14% no grupo controle (Fucaloro et al., 2025) — a grande maioria leve ou moderada, como dor e inchaço local após a aplicação, com apenas um caso de dor intensa entre os estudos incluídos.
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Tratamento com ortobiológicos (PRP e BMA) para artrose
Ortobiológicos como o PRP e o BMA são preparados obtidos do próprio sangue ou da própria medula óssea do paciente, usados para estimular o ambiente biológico da articulação ou do tendão. A evidência é mais consistente em cenários como a artrose de joelho e a fascite plantar crônica e menos consistente em outros, como a tendinopatia crônica do tendão de Aquiles, de modo que a indicação depende da condição, do estágio e da avaliação individual.

Viscossuplementação com ácido hialurônico: o que é e quando é indicada
Viscossuplementação é a injeção de ácido hialurônico dentro da articulação para melhorar a lubrificação e o amortecimento do líquido articular, usada principalmente no tratamento da artrose. Os resultados são mais consistentes na artrose leve a moderada; em outras situações, incluindo o tornozelo, a evidência é menos uniforme, e a indicação passa a ser uma decisão individual, caso a caso.

Artrose no tornozelo e pé: sintomas e tratamentos sem cirurgia
A artrose do tornozelo é diferente da do joelho e do quadril: na maioria das vezes ela é pós-traumática, consequência de entorses graves e fraturas antigas, e por isso costuma aparecer em pessoas mais jovens. O tratamento começa sempre conservador — ajuste de carga, calçado e órteses, fortalecimento e fisioterapia —, com infiltrações e procedimentos considerados conforme a resposta e a avaliação individual.

PRP na epicondilite lateral (cotovelo de tenista): evidência e indicação segundo o CFM
O plasma rico em plaquetas (PRP) tem evidência favorável na epicondilite lateral quando comparado à infiltração de corticoide a partir de seis meses, mas metanálises com grupo placebo ainda não demonstram esse benefício de forma consistente. Desde 15 de julho de 2026, a Resolução CFM nº 2.464/2026 autoriza o uso do PRP nessa condição como tratamento adjuvante, regulado e restrito — nunca como substituto do tratamento conservador ou cirúrgico já indicado.
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