Correção Minimamente Invasiva do Pé Plano em Fortaleza

Uma opção para o pé plano sintomático que não respondeu ao tratamento conservador, com avaliação individual em Fortaleza e Eusébio.

Pé plano sintomático do adultoPé plano sintomático do adolescenteDisfunção do tendão tibial posterior

Fortaleza (Meireles) e Eusébio (CE), com estacionamento nas duas unidades.

Resposta rápida

A correção minimamente invasiva do pé plano é reservada para uma parcela dos casos de pé plano sintomático — dor no arco ou no tornozelo medial, cansaço, disfunção do tendão tibial posterior — que não melhorou com palmilha, fortalecimento e fisioterapia bem conduzidos. Por incisões milimétricas guiadas por radioscopia, osteotomias percutâneas do calcâneo e procedimentos associados corrigem o alinhamento do retropé, sempre definidos de forma individual a partir do exame clínico e da radiografia com carga.

Instrumental cirúrgico delicado sobre campo estéril, referência a uma incisão de poucos milímetros em cirurgia percutânea do pé — imagem ilustrativa

Pé plano sintomático — o alvo real da avaliação

Ter o pé plano, isoladamente, não é uma indicação de tratamento. Na infância e na adolescência, a maioria dos casos de pé plano flexível é assintomática e representa uma variação do desenvolvimento normal do arco — sem dor, sem limitação funcional. Ford & Scannell (2017) são diretos: o pé plano pediátrico é comum, costuma ser assintomático, e o tratamento não cirúrgico deve ser esgotado antes de qualquer consideração cirúrgica nos casos sintomáticos.

A conversa sobre tratamento só começa quando o pé plano é sintomático — dor no arco ou na região medial do tornozelo, cansaço ao caminhar ou ficar em pé por período prolongado, ou sinais de disfunção do tendão tibial posterior, a estrutura que sustenta o arco longitudinal. No adulto, esse quadro costuma ser progressivo e mais complexo de avaliar.

Também é importante distinguir pé plano flexível de pé plano rígido. O flexível, mais comum, corrige a curvatura do arco quando o paciente fica na ponta dos pés; o rígido não corrige, e pode indicar uma causa estrutural associada, que exige investigação própria antes de qualquer conversa sobre tratamento.

Quando o tratamento conservador não foi suficiente

Assim como em outras condições do pé, o tratamento do pé plano sintomático começa pela via conservadora: palmilha personalizada para redistribuir a carga sobre o arco, fortalecimento específico do tendão tibial posterior e da musculatura estabilizadora do retropé, e fisioterapia orientada para dor e função. Ajuste de calçado e, quando indicado, controle de fatores associados — como sobrepeso, especialmente relevante em crianças — também fazem parte dessa fase.

Não existe, na literatura, um protocolo único e universalmente aceito sobre por quanto tempo manter o tratamento conservador antes de considerar a cirurgia. Uma revisão narrativa recente de Viswanathan et al. (2026) descreve justamente essa falta de consenso sobre o manejo do pé plano flexível pediátrico, reforçando que os casos sintomáticos devem começar com modificação de atividade e reeducação funcional, e que a via cirúrgica é reservada para quem não responde a essa abordagem.

A avaliação também considera se o quadro é o pé plano flexível da infância e adolescência ou uma deformidade adquirida do adulto, com possível comprometimento do tendão tibial posterior — duas situações com implicações diferentes, sempre esclarecidas durante o exame clínico.

O que é a correção minimamente invasiva do pé plano

A correção minimamente invasiva segue os mesmos princípios descritos na página sobre cirurgia minimamente invasiva do pé e tornozelo: incisões de poucos milímetros, guiadas por radioscopia em tempo real, evitando a exposição ampla da técnica aberta tradicional. No pé plano, a osteotomia percutânea do calcâneo — que desloca o osso para realinhar o retropé — é hoje considerada, segundo Toepfer et al. (2026), a opção mais estabelecida dentro das técnicas minimamente invasivas para essa deformidade, pelo menor risco de complicação na cicatrização da ferida em comparação à via aberta.

Dependendo do padrão identificado no exame e nas radiografias com carga, procedimentos associados podem ser necessários no mesmo tempo cirúrgico — como alongamento percutâneo do tendão calcâneo ou estabilização do arco medial. A artrorrise (uma pequena prótese no seio do tarso, que bloqueia o excesso de movimento do retropé) é outra técnica minimamente invasiva usada em casos selecionados, mais discutida em pacientes ainda em crescimento.

Nenhuma dessas técnicas é definida antes da avaliação. A escolha entre osteotomia percutânea, artrorrise, procedimentos associados ou a técnica aberta depende do grau da deformidade, da rigidez do retropé e da anatomia de cada paciente — nunca de uma preferência genérica por "o que é minimamente invasivo".

Vantagens esperadas e limites que você precisa conhecer

A vantagem mais consistente das técnicas percutâneas no pé plano é a redução da morbidade dos tecidos moles: incisões menores tendem a significar menor risco de complicação na cicatrização da ferida operatória e menor necessidade de analgésicos no pós-operatório imediato, segundo a revisão de Toepfer et al. (2026). Essa vantagem é real, mas não é uma promessa de resultado superior no longo prazo — o objetivo da técnica percutânea é a mesma correção anatômica da técnica aberta, por um caminho com menos agressão aos tecidos ao redor do osso.

O ritmo de recuperação varia de paciente para paciente — não existe um prazo universal aplicável a todos os casos. Há também um limite que precisa estar na conversa desde o início: deformidades graves, rígidas ou mais complexas do retropé podem exigir a técnica aberta para permitir uma correção completa. A proposta de classificação de Myerson et al. (2020) para a deformidade progressiva do pé plano do adulto existe justamente porque esses quadros variam muito em gravidade — e é essa variação que orienta, caso a caso, se a via percutânea é suficiente ou se a técnica aberta é a mais indicada.

Riscos que fazem parte da conversa

Toda indicação cirúrgica para o pé plano inclui uma conversa honesta sobre riscos específicos, não apenas sobre os benefícios esperados. Um estudo de Coleman et al. (2020), com 189 osteotomias percutâneas de calcâneo, registrou complicações de consolidação óssea em 7% dos casos, além de sintomas nervosos transitórios em 6% e persistentes em 2% — riscos maiores em pacientes com tabagismo ativo, índice de massa corporal elevado ou classificação anestésica mais alta, fatores discutidos com cuidado antes da cirurgia.

Recidiva da deformidade também é uma possibilidade em qualquer técnica cirúrgica para o pé plano, percutânea ou aberta, e nenhuma abordagem elimina esse risco por completo. É esse conjunto — benefícios documentados, taxas reais de complicação e o limite da via percutânea em casos mais graves — que sustenta uma indicação bem informada, sem promessa de resultado antes de conhecer o seu caso.

Como é a avaliação e a recuperação

A avaliação reúne o exame físico detalhado do pé e do tornozelo, com testes específicos para a função do tendão tibial posterior e para a flexibilidade do retropé, além de radiografias com carga — feitas com o paciente em pé, apoiando o peso do corpo, para que o grau real da deformidade seja medido nas condições em que ela efetivamente ocorre. É a partir desse conjunto de informações, e não apenas da queixa inicial, que se discute se a via percutânea pode ser considerada.

A recuperação acontece em fases, sem um prazo único válido para todos os pacientes: um período inicial de proteção do pé operado, seguido de progressão gradual de carga e retorno às atividades habituais. A fisioterapia integrada, conduzida pela Dra. Lucymilla Guimaro, costuma fazer parte do acompanhamento pós-operatório, apoiando o controle do inchaço, o fortalecimento do tibial posterior e o retorno gradual à caminhada e a outras atividades, sempre conforme a evolução observada em cada retorno.

Atendimento em Fortaleza e Eusébio, com opção de teleconsulta

O atendimento acontece na Clínica Qorpo, em Fortaleza, e na Odonto Med Clinic, no Medical Center Eusébio, ambos com estacionamento no local. Para pacientes que já têm exames em mãos ou buscam uma segunda opinião antes de decidir sobre a cirurgia, a teleconsulta está disponível tanto para quem está no Brasil quanto para brasileiros no exterior.

Se você ou seu filho convive com dor no arco do pé ou no tornozelo medial associada ao pé plano, e o tratamento conservador bem conduzido não trouxe o alívio esperado, o próximo passo é uma avaliação individual. Fale pelo WhatsApp (85) 99826-1867 para agendar sua consulta ou uma segunda opinião.

Uma decisão que exige critério, não pressa

A correção minimamente invasiva do pé plano não é uma alternativa mais rápida ao tratamento conservador — é a etapa reservada para quando esse caminho, bem conduzido e por tempo suficiente, não trouxe o alívio necessário em um pé plano sintomático. Reconhecer que você está (ou não) nesse grupo é o objetivo central da avaliação, não uma conclusão que se chega antes do exame clínico e da radiografia com carga.

Se você já percorreu o caminho conservador — palmilha, fortalecimento orientado e fisioterapia — sem o alívio esperado, vale conversar sobre os próximos passos com quem acompanha esse tipo de caso de perto. A decisão final é sempre conjunta, construída a partir do seu histórico específico, não de um protocolo padronizado.

Dr. Caio Fábio, ortopedista

Dr. Caio Fábio CRM-CE 12791 · RQE 8590 · Membro Titular da SBOT · Membro da ABTPé

Pós-graduado em Intervenção em Dor e Medicina Regenerativa (Interpain).

Referências científicas (5)
  1. Ford SE & Scannell BP (2017). Pediatric Flatfoot: Pearls and Pitfalls. Foot and Ankle Clinics. DOI 10.1016/j.fcl.2017.04.008
  2. Toepfer A et al. (2026). Minimally invasive treatment options for pes planovalgus. Orthopädie (Heidelberg). DOI 10.1007/s00132-026-04858-1
  3. Viswanathan S et al. (2026). Paediatric Flexible Flatfeet: A Narrative Review of Conflicting Perspectives in Clinical Practice. Indian Journal of Orthopaedics. DOI 10.1007/s43465-026-01769-3
  4. Myerson MS et al. (2020). Classification and Nomenclature: Progressive Collapsing Foot Deformity. Foot & Ankle International. DOI 10.1177/1071100720950722
  5. Coleman MM et al. (2020). Risk Factors for Complications Associated With Minimally Invasive Medial Displacement Calcaneal Osteotomy. Foot & Ankle International. DOI 10.1177/1071100720961094

Referências verificadas em bases indexadas (PubMed) antes da publicação. O texto resume os achados de forma acessível; a leitura dos estudos originais é recomendada para o aprofundamento técnico.

Perguntas frequentes

Pé chato de criança precisa operar?

Na maioria dos casos, não. O pé plano flexível é comum na infância, costuma ser assintomático e frequentemente representa uma variação normal do desenvolvimento do arco. Ford & Scannell (2017) reforçam que o tratamento não cirúrgico deve ser esgotado antes de qualquer consideração cirúrgica, reservada apenas para os casos sintomáticos que não respondem ao conservador.

Palmilha resolve o pé plano?

A palmilha ajuda a redistribuir a carga sobre o arco e costuma reduzir a dor em boa parte dos casos sintomáticos, mas não corrige a estrutura óssea do pé. Ela é a base do tratamento conservador, junto com o fortalecimento do tibial posterior e a fisioterapia orientada — e é esse conjunto, mantido por tempo suficiente, que define se a cirurgia chega a ser discutida.

Como sei se sou candidato à correção minimamente invasiva do pé plano?

Ser candidato depende de três elementos: pé plano sintomático (dor, cansaço ou disfunção do tibial posterior), tratamento conservador bem conduzido sem o alívio esperado, e uma avaliação individual com exame físico e radiografia com carga. Nenhum desses critérios isoladamente autoriza a indicação — é o conjunto, avaliado caso a caso, que define a conduta.

A cirurgia do pé plano é sempre percutânea?

Não. A osteotomia percutânea do calcâneo é a técnica minimamente invasiva mais estabelecida para o pé plano (Toepfer et al., 2026), mas deformidades graves, rígidas ou mais complexas podem exigir a técnica aberta para uma correção completa. A proposta de classificação de Myerson et al. (2020) existe justamente para ajudar a graduar essa variação e orientar a escolha da via mais adequada a cada caso.

Quanto tempo leva a recuperação?

Não existe um prazo único. A recuperação acontece em fases — proteção inicial, progressão gradual de carga e retorno às atividades —, e o ritmo varia conforme o procedimento realizado, a extensão da correção e a resposta individual de cada paciente, sempre acompanhado de perto nas consultas de retorno.

Quais são os riscos da cirurgia percutânea do pé plano?

Os estudos descrevem riscos específicos, como complicação na consolidação óssea e sintomas nervosos transitórios ou persistentes (Coleman et al., 2020), além da possibilidade de recidiva da deformidade em qualquer técnica. Fatores como tabagismo ativo e índice de massa corporal elevado aumentam esse risco, e fazem parte da conversa antes de qualquer indicação.

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