Úlceras no pé diabético: como tratar e evitar complicações
Dr. Caio Fábio — CRM-CE 12791 · RQE 8590Resposta rápida
A maior parte das úlceras do pé diabético surge de uma combinação previsível — perda de sensibilidade, circulação prejudicada e uma pequena pressão ou trauma repetido que o pé não avisa. A prevenção é feita de coisas simples e comprovadas: olhar os pés todos os dias, usar calçado que alivia pressão, tratar calos e lesões pré-ulcerativas cedo e ter acompanhamento regular, porque quanto mais cedo a lesão é vista, mais simples costuma ser o tratamento.

Por que o pé é o ponto mais vulnerável no diabetes
Para entender por que o pé merece um cuidado tão específico em quem vive com diabetes, ajuda separar três processos que, juntos, criam a situação de risco. O primeiro é a neuropatia diabética: com o tempo, o diabetes pode afetar os nervos dos pés, e a sensibilidade — a capacidade de sentir uma pedrinha dentro do sapato, o atrito de uma costura ou o calor excessivo da água do banho — vai diminuindo aos poucos. O segundo é a alteração da circulação: os vasos sanguíneos menores também podem ser afetados, e o tecido do pé passa a receber menos do que precisa para se defender de pequenas agressões e para cicatrizar quando alguma lesão acontece. O terceiro é a mudança na forma e no apoio do pé — dedos que mudam de posição, arcos que se alteram —, que faz a pressão do peso do corpo se concentrar em pontos que não estavam preparados para recebê-la. É por isso que, no acompanhamento de quem tem diabetes, o pé costuma receber uma atenção diferenciada, separada do restante do corpo — não por exagero, mas porque esses três processos, juntos, tornam esse local particularmente vulnerável a um tipo de lesão que, em outra pessoa, provavelmente nem chegaria a se formar.
Nenhum desses três processos, isoladamente, costuma causar uma úlcera. É a combinação dos três — sentir menos, cicatrizar mais devagar e pisar de um jeito que concentra pressão em um ponto específico — que cria o cenário em que uma lesão pequena pode evoluir sem ser percebida a tempo. Uma revisão sobre o tema (McDermott et al., 2022) descreve esse percurso até a úlcera como um caminho bem estabelecido, e não um evento súbito ou imprevisível. Essa é, na verdade, uma notícia boa escondida em um tema difícil: quando o caminho até a lesão é conhecido, ele também pode ser interrompido — e é exatamente sobre isso que trata boa parte deste texto.
A dor que não avisa
A maioria das pessoas conta com a dor como um sistema de alarme: um sapato apertado incomoda, uma pedrinha incomoda, uma bolha dói, e a reação natural — parar, tirar o sapato, verificar — acontece quase sem pensar. Na neuropatia diabética, esse alarme perde parte da sua função. É possível caminhar o dia inteiro com uma pedra pequena dentro do sapato, usar um calçado novo que está machucando o calcanhar, ou apoiar o pé de um jeito que concentra pressão em um ponto específico — sem sentir o aviso que, em condições normais, faria parar esse processo antes de virar uma ferida.
É por isso que, quando a sensibilidade protetora está reduzida, o olho precisa assumir o papel que a dor deixou de cumprir. Olhar os pés deixa de ser um hábito opcional e passa a ser, literalmente, o sistema de alerta em uso — e é um dos pontos que mais aparece, com nomes diferentes, em praticamente todas as diretrizes sobre prevenção do pé diabético.

Os números que explicam por que levar isso a sério
Alguns números ajudam a entender por que o cuidado com o pé, no diabetes, não é um detalhe entre tantos outros — é uma prioridade real. Uma revisão publicada (Armstrong et al., 2023) estima que cerca de 18,6 milhões de pessoas no mundo desenvolvem uma úlcera do pé diabético por ano, e que essas úlceras precedem cerca de 80% das amputações de membro inferior em pessoas com diabetes. Outra revisão (McDermott et al., 2022) coloca esse risco em perspectiva individual: o risco de desenvolver uma úlcera ao longo da vida, em quem tem diabetes, fica entre 19% e 34%. Um compêndio sobre o tema (Boulton et al., 2018) mostra a dimensão do problema por outro ângulo: metade de todas as amputações acontece em pessoas com diabetes, na maioria das vezes a partir de uma úlcera infectada.
Esses números existem para justificar cuidado, não para gerar medo — e o mesmo corpo de evidência que os descreve mostra o outro lado da história, no mesmo fôlego. A via que leva a esse desfecho é conhecida e, na maior parte das vezes, interrompível: a própria revisão de Armstrong et al. (2023, JAMA) mostra que o cuidado multidisciplinar — o acompanhamento conduzido por uma equipe de diferentes especialidades, e não por um profissional isolado — está associado a menos amputações maiores (de grau mais extenso) quando comparado ao cuidado usual (3,2% contra 4,4%). Ou seja, o risco descrito nesses números não é um destino fixo: é o motivo pelo qual vale a pena investir tempo nas medidas de prevenção que você vai ver ao longo deste texto.
O que a prevenção realmente exige (e é mais simples do que parece)
A prevenção do pé diabético é construída sobre um número pequeno de práticas, repetidas com constância — não sobre procedimentos complexos. O primeiro pilar é o rastreamento da perda de sensibilidade protetora, que pode ser feito já na atenção primária com uma história clínica breve e o teste do monofilamento de Semmes-Weinstein — um fio flexível e calibrado, pressionado sobre pontos específicos da sola do pé, que avalia se você ainda sente esse toque leve. Uma revisão sistemática sobre prevenção (Singh et al., 2005) descreve exatamente essa combinação — história breve mais monofilamento — como uma forma eficaz de identificar quem está em maior risco.
A diretriz do International Working Group on the Diabetic Foot sobre prevenção (Bus et al., 2023) detalha o restante do pacote: exame anual para quem tem risco muito baixo, com frequência maior conforme o risco aumenta; educação sobre autocuidado dos pés; orientação para nunca andar descalço, nem mesmo dentro de casa só de meias; e o tratamento de qualquer lesão pré-ulcerativa — calos, rachaduras, pequenas bolhas — assim que ela é identificada, sem esperar para ver se piora. Essa frequência maior de exame para quem já tem risco identificado não é burocracia: é reconhecer que, uma vez reduzida a sensibilidade protetora, o intervalo entre uma consulta e outra é exatamente o tempo em que uma lesão pode passar despercebida.
Some-se a isso a inspeção diária dos próprios pés, incluindo a sola e o espaço entre os dedos, e você tem o núcleo de tudo o que a evidência científica considera prevenção eficaz: rastrear quem está em risco, examinar com regularidade, tratar cedo o que aparece e nunca deixar o pé desprotegido no dia a dia.
Calçado e alívio de pressão: a intervenção mais subestimada
Entre todas as medidas de prevenção, o calçado costuma ser a mais subestimada — talvez por parecer simples demais para ter um impacto real. Os dados dizem o contrário: a revisão de Armstrong et al. (2023, JAMA) mostra que o uso de calçado que alivia pressão reduziu o risco de úlcera de forma expressiva em comparação ao cuidado usual (13,3% contra 25,4%). A diretriz de prevenção do International Working Group on the Diabetic Foot (Bus et al., 2023) recomenda calçado terapêutico com efeito comprovado de alívio de pressão especificamente para prevenir a recorrência de uma úlcera plantar, e uma diretriz da Society for Vascular Surgery (Hingorani et al., 2016) reforça o calçado terapêutico personalizado para quem tem alto risco — o que inclui neuropatia significativa, deformidades do pé ou amputação prévia.
Na prática, o calçado indicado costuma ter alguns critérios em comum: câmara larga o bastante para não comprimir os dedos, ausência de costuras internas ou pontos de atrito sobre a pele, solado que ajuda a distribuir a pressão em vez de concentrá-la em um ponto, e ajuste com orientação profissional, sem depender apenas do número do calçado. Nenhum desses critérios funciona, porém, se o calçado ficar guardado — o benefício documentado nesses estudos parte do uso consistente, inclusive dentro de casa, que é justamente onde muita gente relaxa o cuidado por considerar o ambiente seguro. Vale reforçar uma diferença importante: calçado terapêutico prescrito individualmente não é o mesmo que um calçado apenas confortável, comprado de forma genérica — a diferença está no ajuste ao formato específico do seu pé e aos pontos que mais precisam de alívio de pressão.
O calo é um aviso, não um detalhe
Onde existe um calo, existe pressão excessiva e repetida sobre aquele ponto do pé — e é exatamente esse ponto que concentra o maior risco de uma úlcera começar. Tratar o calo cedo, então, não é uma questão estética: é uma forma direta de prevenção, alinhada ao que a diretriz de prevenção do International Working Group on the Diabetic Foot (Bus et al., 2023) recomenda ao orientar o tratamento de qualquer lesão pré-ulcerativa assim que ela aparece. Você pode entender melhor por que o calo e a calosidade aparecem no pé e como tratá-los — mas, para quem tem diabetes, o ponto central é este: calo não deve ser cortado ou removido em casa, nem com lâminas, nem com produtos de venda livre. Um pequeno corte acidental, somado à sensibilidade reduzida e à cicatrização mais lenta, pode transformar um procedimento caseiro simples na porta de entrada para uma ferida maior.
A mesma lógica vale para a unha encravada: em quem tem diabetes, ela nunca deve ser autotratada, seja cortando as bordas mais fundo na tentativa de resolver em casa, seja usando instrumentos improvisados. O procedimento correto, feito por um profissional, evita justamente o tipo de pequena lesão que, em um pé com sensibilidade e circulação comprometidas, pode não cicatrizar como esperado.
Sinais de alerta: quando procurar avaliação sem esperar
Alguns sinais merecem avaliação sem esperar para ver se melhoram sozinhos: qualquer ferida, bolha ou rachadura na pele, por menor que pareça; vermelhidão que não desaparece; um calo que escureceu ou mudou de aspecto; uma área do pé mais quente do que o mesmo ponto no pé oposto; inchaço que aparece em um pé só — o que também pode ter outras causas, explicadas em pé inchado: o que pode ser e quando se preocupar; secreção; cheiro diferente do habitual; ou qualquer mudança perceptível na forma do pé. Nenhum desses sinais precisa vir acompanhado de dor para justificar uma avaliação — e, como você já viu, é justamente a ausência de dor que torna alguns deles mais preocupantes, não menos.
Existe um sinal específico que merece atenção redobrada por ser, ao mesmo tempo, sério e frequentemente não reconhecido: o pé quente, inchado e avermelhado em quem já tem neuropatia, muitas vezes sem uma dor proporcional ao que se vê. Um compêndio sobre as complicações do pé diabético (Boulton et al., 2018) descreve esse quadro como a neuroartropatia de Charcot, uma condição séria que frequentemente não é diagnosticada a tempo — em parte porque, sem a dor esperada, tanto o paciente quanto profissionais menos familiarizados com o quadro podem confundi-lo com outras causas, como uma infecção simples ou uma torção. Reconhecer esse quadro cedo importa porque, sem o cuidado adequado, a estrutura óssea do pé pode se alterar de forma significativa — mais um motivo para não usar apenas a intensidade da dor como critério de gravidade em quem tem neuropatia. Diante desse padrão específico — calor, inchaço e vermelhidão em um pé com neuropatia conhecida —, a avaliação rápida com um especialista é o caminho mais seguro, mesmo sem uma dor que "combine" com a gravidade do que está sendo visto.

Quando já existe uma úlcera: o que faz diferença
Quando uma úlcera já está presente, a intervenção mais importante costuma ser uma das mais simples de descrever, ainda que nem sempre simples de sustentar no dia a dia: tirar a pressão de cima da ferida. A diretriz do International Working Group on the Diabetic Foot sobre alívio de carga (Bus et al., 2023) chama o offloading — o alívio da carga mecânica sobre a área da úlcera — de possivelmente a mais importante das intervenções para a cicatrização. Para uma úlcera plantar neuropática localizada no antepé ou no mediopé, a mesma diretriz indica como primeira escolha um dispositivo de alívio de carga não removível, que vai até o joelho; quando existe contraindicação ou dificuldade de adaptação a esse dispositivo, uma versão removível pode ser considerada, e, na ausência desses dispositivos, calçado adequado combinado a espuma de alívio é a alternativa.
Ao lado do alívio de carga, o cuidado da ferida propriamente dito — limpeza e desbridamento, que é a remoção do tecido que atrapalha a cicatrização — segue como parte central do tratamento, junto da investigação de infecção e da avaliação da circulação local, que pode indicar a necessidade de revascularização (procedimento para restabelecer o fluxo sanguíneo do pé) em casos específicos (Hingorani et al., 2016). Vale saber, com honestidade, que nem toda úlcera cicatriza no mesmo ritmo: a revisão de Armstrong et al. (2023, JAMA) estima que entre 30% e 40% cicatrizam em 12 semanas, e que entre 50% e 60% das úlceras chegam a infectar em algum momento da evolução. São números que reforçam por que o acompanhamento estruturado — e não apenas um curativo pontual — muda o desfecho: é esse acompanhamento contínuo que identifica cedo uma infecção começando, ajusta o alívio de carga quando necessário e mantém o tratamento no rumo certo até o fechamento da ferida. Cada uma dessas frentes — alívio de carga, cuidado da ferida, controle de infecção e avaliação da circulação — costuma funcionar melhor quando conduzida em conjunto do que isoladamente, o que é exatamente o papel do acompanhamento especializado contínuo.

Depois que cicatriza: o cuidado não acaba
Fechar a ferida é uma conquista real, mas não é o fim da história — e essa é uma das informações mais importantes para quem já passou por uma úlcera. A revisão de Armstrong et al. (2023, JAMA) estima a recorrência em 42% no primeiro ano após a cicatrização, um número que existe não para desanimar, mas para justificar por que a fase seguinte ao fechamento da ferida merece tanto cuidado quanto a fase de tratamento ativo.
Uma diretriz de prática clínica (Wendland et al., 2024) detalha como deve ser essa transição: o retorno da carga sobre o pé deve incluir alívio máximo especialmente nos primeiros três meses depois do fechamento, com o uso do calçado avançando de forma progressiva, seguindo um cronograma orientado — e não um retorno repentino à rotina anterior. Um compêndio sobre o tema (Boulton et al., 2018) resume bem essa ideia ao descrever o objetivo, depois da cicatrização, como manter o pé "em remissão": um conceito parecido com o de outras condições crônicas, em que o quadro está controlado, mas continua exigindo acompanhamento — não uma alta definitiva, e sim uma nova fase de cuidado, mais espaçada, porém contínua.
Movimento faz parte do tratamento
É comum que o medo de uma nova lesão leve a evitar caminhar mais do que o necessário — uma reação compreensível, mas que a evidência não sustenta como a mais segura no longo prazo. A diretriz de prevenção do International Working Group on the Diabetic Foot (Bus et al., 2023) traz um dado tranquilizador nesse sentido: um aumento de cerca de 1.000 passos por dia é provavelmente seguro em relação ao risco de ulceração. A mesma diretriz também aponta que um programa supervisionado de exercícios para o pé e o tornozelo pode ser considerado em pessoas com risco baixo a moderado.
A diretriz de Wendland et al. (2024, Physical Therapy) reforça que exercício e atividade física devem ser prescritos conforme a resposta individual de cada pessoa, sempre com o objetivo de qualidade de vida a longo prazo — não como um risco a ser evitado por princípio. E um estudo observacional com 4.721 participantes (Liu et al., 2025) mostra o valor do rastreamento sistemático combinado à educação personalizada: ao longo dos anos avaliados, esse tipo de programa reduziu a prevalência de neuropatia periférica diabética e encurtou o tempo de internação. A mensagem que essas evidências têm em comum é a mesma: o objetivo do tratamento não é imobilizar o pé por medo, é continuar vivendo e se movendo, com a proteção certa para cada etapa. Para quem já viveu o receio de uma nova ferida, vale reler essa ideia mais de uma vez: manter-se em movimento, dentro do que for orientado para o seu caso, é parte do cuidado — não uma exceção a ele.
O papel de quem cuida
Boa parte deste texto foi escrita pensando também em quem acompanha, de perto, uma pessoa com diabetes — cônjuge, filho, filha, cuidador. Isso não é um detalhe: tanto a diretriz da Society for Vascular Surgery (Hingorani et al., 2016) quanto a diretriz de prevenção do International Working Group on the Diabetic Foot (Bus et al., 2023) incluem explicitamente a educação da família como parte da estratégia de prevenção — não como um complemento opcional.
Na prática, isso pode significar ajudar na inspeção diária da sola e do espaço entre os dedos, usando um espelho no chão ou a câmera do celular para ver os ângulos que a própria pessoa tem dificuldade de enxergar; conferir o interior do calçado antes de calçar, em busca de qualquer objeto, dobra ou costura solta; e prestar atenção a mudanças na forma de andar, que muitas vezes aparecem antes de qualquer queixa verbal. Se você é essa pessoa: leve a sério até as queixas pequenas. "Não é nada" é, com frequência, exatamente a frase que precede uma lesão que poderia ter sido tratada mais cedo — e a atenção de quem cuida costuma ser, junto com a inspeção diária do próprio paciente, uma das defesas mais eficazes que existem. Esse olhar de fora é especialmente valioso porque enxerga o pé com uma atenção diferente da rotina automática de quem já convive há anos com a perda de sensibilidade — um segundo par de olhos que, com frequência, nota o que passou despercebido.
Atendimento em Fortaleza e Eusébio
O acompanhamento do pé diabético inclui avaliação da sensibilidade e da circulação, tratamento de lesões pré-ulcerativas como calos e rachaduras, orientação sobre calçado adequado e alívio de carga, e acompanhamento continuado — não apenas no momento da ferida, mas também na fase de manter o pé protegido depois que ela cicatriza. Esse cuidado costuma se beneficiar da reabilitação integrada com a fisioterapeuta Dra. Lucymilla Guimaro, especialmente no retorno progressivo à atividade depois de uma úlcera.
O acompanhamento do pé diabético — da prevenção das úlceras ao tratamento das deformidades — é feito pelo Dr. Caio Fábio, ortopedista especializado em pé e tornozelo, Membro Titular da SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia) e da ABTPé (Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé), CRM-CE 12791 · RQE 8590, em Fortaleza (bairro Meireles) e na unidade de Eusébio, com estacionamento no local nas duas unidades. Para pacientes de outras cidades, estados ou países, a teleconsulta é uma opção para avaliação inicial, orientação e segunda opinião. O contato pode ser feito pelo WhatsApp (85) 99826-1867.
Se você chegou até aqui, já sabe o que fundamenta este texto inteiro: a maioria das complicações graves do pé diabético começa por algo pequeno e visível — um calo, uma bolha, uma unha mal cuidada, uma área um pouco mais quente do que deveria. E é exatamente por isso que dá para intervir cedo, na maior parte das vezes bem antes que a situação se torne mais séria.
Referências científicas (9)
- McDermott K et al. (2022). Etiology, Epidemiology, and Disparities in the Burden of Diabetic Foot Ulcers. Diabetes Care. DOI 10.2337/dci22-0043
- Armstrong DG et al. (2023). Diabetic Foot Ulcers: A Review. JAMA. DOI 10.1001/jama.2023.10578
- Boulton AJM et al. (2018). Diagnosis and Management of Diabetic Foot Complications (ADA Clinical Compendia). American Diabetes Association. PMID 30958663
- Singh N et al. (2005). Preventing foot ulcers in patients with diabetes. JAMA. DOI 10.1001/jama.293.2.217
- Bus SA et al. (2023). Guidelines on the prevention of foot ulcers in persons with diabetes (IWGDF 2023 update). Diabetes/Metabolism Research and Reviews. DOI 10.1002/dmrr.3651
- Hingorani A et al. (2016). The management of diabetic foot: A clinical practice guideline by the Society for Vascular Surgery. Journal of Vascular Surgery. DOI 10.1016/j.jvs.2015.10.003
- Bus SA et al. (2023). Guidelines on offloading foot ulcers in persons with diabetes (IWGDF 2023 update). Diabetes/Metabolism Research and Reviews. DOI 10.1002/dmrr.3647
- Wendland DM et al. (2024). Diabetic Foot Ulcer Beyond Wound Closure: Clinical Practice Guideline. Physical Therapy. DOI 10.1093/ptj/pzae171
- Liu S et al. (2025). Foot screening and customized health education program for patients with diabetic peripheral neuropathy: A nurse-led, real-world observational study. International Journal of Nursing Studies Advances. DOI 10.1016/j.ijnsa.2025.100291
Referências verificadas em bases indexadas (PubMed) antes da publicação. O texto resume os achados de forma acessível; a leitura dos estudos originais é recomendada para o aprofundamento técnico.
Perguntas frequentes
Toda ferida no pé de quem tem diabetes é grave?
Nem toda ferida é grave, mas toda ferida merece avaliação — a diferença entre um machucado simples e uma complicação séria costuma estar em quanto tempo ele fica sem cuidado adequado. Por isso, o ideal é nunca "esperar para ver": procurar avaliação assim que a lesão aparece reduz o risco de ela evoluir.
Posso cortar meus calos ou unhas em casa?
Calos não devem ser cortados ou removidos em casa, com lâminas ou produtos de venda livre — o risco de um pequeno corte acidental é real e pode se tornar uma porta de entrada para uma ferida maior. As unhas podem ser cuidadas com atenção e a técnica correta, mas quem tem sensibilidade reduzida nos pés deve contar com apoio profissional regular para esse cuidado.
Com que frequência devo examinar os pés?
Todos os dias, incluindo a sola e o espaço entre os dedos — as áreas que menos se veem no dia a dia e, por isso, mais escondem um problema no início. Um espelho no chão ou a câmera do celular ajudam a enxergar os ângulos mais difíceis.
Qual calçado devo usar?
Um calçado com câmara larga o bastante para não comprimir os dedos, sem costuras internas que causem atrito, com solado que ajuda a distribuir a pressão, e ajustado com orientação profissional. Em quem tem risco mais alto, o calçado terapêutico prescrito individualmente é a opção com respaldo mais consistente para prevenir novas úlceras.
Posso caminhar e fazer exercício?
Sim — a atividade física adaptada faz parte do próprio tratamento, e o medo de se machucar não deve levar à imobilidade completa. A intensidade, o tipo de exercício e a progressão devem ser orientados de forma individual, considerando o risco e a fase de cuidado em que você está.
O que é pé de Charcot?
É uma condição séria que afeta a estrutura do pé em pessoas com neuropatia, reconhecida por um pé quente, inchado e avermelhado — muitas vezes sem uma dor proporcional ao que se vê. É frequentemente não diagnosticada a tempo, exatamente por ser confundida com outras causas, o que reforça a importância de uma avaliação rápida diante desse padrão.
Ferida cicatrizada significa alta?
Não. Depois que a ferida fecha, começa uma nova fase de cuidado, com alívio de carga ainda importante nos primeiros meses e acompanhamento contínuo para manter o pé protegido — o objetivo é manter o pé "em remissão", e não considerar o tratamento encerrado.
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